SAUDE DA MILHER

   

                                                                                                 Maria Angélica Rezende Silveira

A saúde da mulher deve ser vista em torno de seu ciclo de vida, que poderíamos dividir em etapas: a primeira infância que vai do nascimento até os nove anos de idade, a adolescência que se inicia aos 10 anos até 19 anos, a vida adulta dos 20 aos 59 anos de idade e a terceira idade que se inicia aos 60 anos de idade em diante.

A faixa reprodutiva de 15 à 44 anos , e já tem um tratamento diferenciado, mas a preocupação com as necessidades das mulheres devem ir além das questões sexuais e reprodutivas.

Geralmente as mulheres vivem mais do que os homens, cerca de seis a oito anos mais, e isso ocorre em razão de vantagens biológicas e comportamentais, mas a longevidade das mulheres não é necessariamente mais saudável, pois a gravidez e o parto que somente a mulher vivencia são processos biológicos e sociais que acarretam riscos à saúde e requerem cuidados especiais.

As desigualdades baseadas no gênero refletem na educação, na renda e no emprego e limitam a capacidade de meninas e mulheres protegerem sua própria saúde.

Há uma diferença gritante entre os países de alta renda e os países pobres, e as diferentes condições de vida que elas são expostas vai refletir não só no tempo de vida das mulheres, mas também no índice de mortalidade materna que segundo relatório da OMS nos países pobres a mortalidade materna atinge 99% das mães em meio milhão de óbitos maternos a mais do que acontece nos países em desenvolvimento.

As complicações de gravidez e parto representam a principal causa de óbito em mulheres jovens com idade entre 15 e 19 anos. Os fatores de risco mais importantes para o óbito ou incapacidades nessa faixa etária em países de baixa e média renda são a falta de contraceptivo e o sexo inseguro que vão resultar em gravidez não desejada, abortos inseguros, complicações na gravidez e no parto, além de infecções sexualmente transmissíveis. Um outro fator que funciona como risco adicional é a violência contra as mulheres, podendo esta levar a transtornos mentais e outros problemas crônicos de saúde.

É preciso lembrar que a saúde da mulher não importa somente para ela, mas é crucial para a saúde das crianças que irão nascer, porque a mulher é responsável não só pelo nascimento, mas também pela sobrevivência dos filhos que vier a ter.

A expectativa de vida hoje é de mais de 80 anos para ambos os sexos e a diferença entre ambos os sexos é de apenas um ano nos países de alta renda.

O número médio de crianças por mulher registrou uma queda global de 4,3 no início dos anos 70 para 2,6 de 2005-2010, declínio que é associado ao uso de contracepção.

Os sistemas de saúde devem ficar atentos porque as mulheres com nutrição deficiente, doenças infecciosas e acesso inadequado à saúde, são propensas a ter bebes com baixo peso ao nascer e consequentemente com chances de sobrevivência comprometidas.

As desigualdades socioeconômicas também têm reflexo na saúde das mulheres e as de alta renda estão mais propensas à doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, demência e câncer, doenças essas que são responsáveis por mais de quatro em cada 10 óbitos femininos segundo dados da OMS.

Embora as mulheres sejam mais de 50% dos trabalhadores formais na atenção à saúde, em muitos países concentram-se em ocupações que podem ser consideradas de baixo status como enfermagem, obstetrícia, serviços de saúde comunitários.

Vamos encontrar mais de 70% dos médicos que são masculinos e mais de 70% dos enfermeiros que são femininos, refletindo portanto um franco desequilíbrio de gênero.

Em dados coletados pela OMS as trabalhadoras em saúde enfrentam problemas relacionados com o trabalho, porque trabalham frequentemente com agulhas e representam 2/3 de todas as infecções globais de hepatite B e C e HIV por traumatismos com seringas, além de traumatismos musculoesqueléticos ( causados por levantamento) e exaustão, além de estarem expostas a medicamentos mutagênicos e possivelmente cancerígenos, a substâncias químicas perigosas como desinfetantes e esterilizantes que causam asma, bem como a situações reprodutivas adversas como abortos espontâneos e malformações congênitas.

Estas em linhas gerais são as considerações que precisam ser ressaltadas em defesa à proteção mais eficaz à saúde das mulheres e teve como fonte a publicação Mulheres e Saúde- Evidências de hoje a agenda de amanhã da Organização Mundial da Saúde.