RADIOTERAPIA

 

Maria Angélica Rezende Silveira

Um dos graves problemas que enfrentamos no tratamento de câncer no Brasil é o número insuficiente de aparelhos de Radiografia para atender os pacientes.

Em artigo publicado neste site em 03 de dezembro de 2016, sob o título “ O holocausto do Estado Brasileiro”, denunciávamos que havia em todo país um déficit de 200 aparelhos de Radioterapia, o que causaria a morte de 250.320 pacientes, caracterizando assim um verdadeiro holocausto.

No Estado de Sergipe até o mês de maio em curso, existiam apenas dois aparelhos de Radioterapia atendendo os pacientes, sendo que um deles, o mais antigo, funciona no Hospital Cirurgia e o outro no Hospital João Alves.

Lamentavelmente os pacientes que conseguem ser atendidos têm tido muitos problemas com o tratamento oferecido, face as interrupções constantes causadas pela quebra do aparelho do Hospital Cirurgia que é bastante antigo e pela quebra do aparelho do Hospital João Alves causada pelo uso excessivo, justamente para atender a grande demanda.

Agora neste mês de maio, acaba de ser instalado um aparelho de Radioterapia na Clínica CLINARDI, com capacidade para tratar 140 pacientes por dia, mas trata-se de uma Clínica particular, que poderá dar atendimento aos pacientes vinculados aos planos de saúde, e aos dos SUS caso seja realizado convênios com o poder público.

A tecnologia 3 D que virá a ser utilizada nesse novo ponto de atendimento poderá ter o serviço ampliado com mais dois aceleradores lineares, além de braquiterapia 3 D ( radiação diretamente em tecidos acessíveis como em casos de câncer de colo uterino, próstata, pulmão, mama, pele e reto) e radiocirurgia.

A radiocirurgia é um método não invasivo para o tratamento de distúrbios cerebrais onde há a aplicação de dose elevada e precisa de radiação.

Esse novo centro tem ainda equipamentos de imagem para diagnosticar o câncer, como o PET CT que ajuda na localização da doença, inclusive nos casos de metástese , além de tomografia e ressonância magnética.

Esperamos pois que haja sensibilidade do gestor público para utilização desses novos serviços, mediante convênios, para que menos vidas sejam ceifadas, como está ocorrendo por falta de um adequado atendimento.

Não é justo que tantas pessoas continuem perdendo suas vidas, por falta de investimento na saúde, pelo poder público, quando assistimos estarrecidos os noticiários mostrando os desvios ocorridos e o enriquecimento daqueles que deveriam zelar pelos recursos públicos, recursos que são oriundos dos impostos extorsivos que pagamos.

Como cidadãos precisamos ficar mais atentos e vigilantes, cobrando do Estado o cumprimento de seu dever constitucional de garantir a todos o direito à saúde e à vida.