Doação de leite: o que é, aleitamento materno, importância, como doar

Qual importância da doação de leite materno?

Doar leite materno humano é um gesto que salva vidas. O leite materno é importante para todos os bebês, principalmente para os que estão internados e não podem ser amamentados pela própria mãe. Todos os anos aproximadamente 150 mil litros de leite materno humano são coletados, processados e distribuídos aos recém-nascidos de baixo peso que estão internados em unidades neonatais de todo o Brasil.

Um litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. Dependendo do peso do prematuro, 1 ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez em que ele for alimentado. Os bebês que estão internados e não podem ser amamentados pelas próprias mães têm a chance de receber os benefícios do leite materno com a sua doação. Com ele, a criança se desenvolve com saúde, tem mais chances de recuperação e fica protegida de infecções, diarreias e alergias.

IMPORTANTE: Se você está amamentando, seja uma doadora e ajude a quem precisa. Qualquer quantidade de leite materno doado é importante. Procure um Banco de Leite Humano mais próximo ou ligue para o Disque Saúde, no número 136, para tirar qualquer dúvida. O ato solidário de doar leite materno humano significa vida para uma criança.

Rede de Bancos de Leite Humano

O Brasil possui a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é modelo para a cooperação internacional em mais de 20 países das Américas, Europa e África, estabelecida por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

O Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz criaram a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) em 1998 com a missão de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, coletar e distribuir leite humano com qualidade certificada e contribuir para a diminuição da mortalidade infantil.

Parte da Política Nacional de Aleitamento Materno, a rBLH é uma ação estratégica. Além de coletar, processar e distribuir leite humano a bebês prematuros e de baixo peso, os Bancos de Leite Humano (BLHs) realizam atendimento de orientação e apoio à amamentação.

Atualmente, a Rede possui mais de 225 Bancos de Leite Humano distribuídos em todos os estados do território nacional, alguns com coleta domiciliar.  A rBLH-BR conta ainda com mais de 212 Postos de Coleta (PCs) de leite humano. Todos os estados e o Distrito Federal têm pelo menos 1 banco de leite, o que dá uma média de 45 bancos de leite por região do país

O modelo brasileiro alinha baixo custo e alta tecnologia. A tecnologia da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano – RBLH é exportada para 22 países da América Latina, Caribe, Península Ibérica e alguns países da Europa.

RBLH: promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno até os dois anos de vida, sendo de forma exclusiva até os seis meses de idade

O modelo brasileiro é reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento tecnológico inédito, que alia baixo custo à alta qualidade, além de distribuir o leite humano conforme as necessidades específicas de cada bebê, aumentando a eficácia da iniciativa para a redução da mortalidade neonatal.

Responsabilidades do Banco de Leite Humano

  • promoção do aleitamento materno;
  • execução das atividades de coleta, processamento e controle de qualidade do leite produzido nos primeiros dias após o parto (o colostro), leite de transição e leite humano maduro para posterior distribuição sob prescrição do médico ou nutricionista.

No Brasil, cerca de 330 mil crianças nascidas a cada ano são prematuras ou têm baixo peso e precisam da doação de leite materno para sobreviver. O número representa 11% do total de crianças nascidas no país, média de 3 milhões por ano.

Campanha Nacional de Doação de Leite

A Campanha Nacional de Doação de Leite 2019 visa incentivar gestantes e mulheres que amamentam a doarem leite humano em benefício dos bebês prematuros ou de baixo peso (menos de 2,5 kg), internados em UTI neonatal e que não podem ser amamentados diretamente no seio da mãe.

A meta é aumentar em 15% o volume de leite coletado, além de aumentar o número de mulheres doadoras.

Este ano, a campanha terá o objetivo de estimular doações durante todo o ano, não apenas na época da campanha, quando o volume de doação de leite materno costuma aumentar. É necessário manter os estoques sempre em alta e para isso o apoio de todas as mulheres que amamentam é fundamental.

IMPORTANTE: Apenas 45% dos bebês prematuros ou de baixo peso receberam a doação de leite humano. O volume das doações cai nos períodos de férias escolares e feriados prolongados. Faça a sua parte. Doe leite materno humano.

Quais são os benefícios do leite materno?

O leite materno tem tudo o que bebê precisa até os 6 meses de idade, inclusive água. Cada pote de 300ml de leite materno humano pode ajudar até 10 recém-nascidos por dia.

Os principais benefícios do leite materno são:

  • Protege a criança contra diarreias, infecções respiratórias e alergias.
  • Reduz em 13% a mortalidade em crianças menores de 5 anos.
  • Reduz risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta.

Qualquer quantidade de leite pode ajudar. Para se ter uma ideia, 1 ml de leite já é suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição, dependendo do peso. O pote não precisa estar cheio para ser levado ao Banco de Leite Humano. 

Quem pode doar leite materno?

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, basta ser saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação.

Se este for o seu caso, entre em contato com o banco de leite mais próximo de sua casa ou ligue ao 136 para obter maiores informações de como e quando doar.

Os bancos de leite humano têm entre seus objetivos a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Neste sentido, desenvolvem trabalho para auxiliar as mulheres-mães no período da amamentação, tendo profissionais qualificados para também orientar sobre a saúde da criança.

Como doar leite materno?

Para doar leite materno, é só seguir este passo a passo:

Preparo do frasco para guardar o leite materno:

  • Lave um frasco de vidro de boca larga com tampa de plástico (do tipo café solúvel), retirando o rótulo e o papel de dentro da tampa.
  • Coloque o frasco e a tampa em uma panela, cobrindo-os com água.
  • Ferva-os por 15 minutos, contando o tempo a partir do início da fervura.
  • Escorra-os, com a abertura voltada para baixo, sobre um pano limpo até secar.
  • Feche o frasco sem tocar com a mão na parte interna da tampa.
  • O ideal é deixar vários frascos preparados.

Higiene pessoal antes de iniciar a coleta do leite materno:

  • Use uma touca ou um lenço para cobrir os cabelos.
  • Coloque uma fralda de pano ou uma máscara sobre o nariz e a boca.
  • Lave as mãos e os braços até o cotovelo com bastante água e sabão.
  • Lave as mamas apenas com água.
  • Seque as mãos e as mamas com toalha limpa.

Local adequado para retirar o leite materno:

  • Escolha um lugar confortável, limpo e tranquilo.
  • Forre uma mesa com pano limpo para colocar o frasco e a tampa.
  • Evite conversar durante a retirada do leite.

Saiba como retirar o leite das mamas:

  • Massageie as mamas com a ponta dos dedos, fazendo movimentos circulares no sentido da parte escura (aréola) para o corpo.
  • Coloque o polegar acima da linha em que acaba a aréola.
  • Coloque os dedos indicador e médio abaixo da aréola.
  • Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo.
  • Aperte o polegar contra os outros dedos até sair o leite.
  • Despreze os primeiros jatos ou gotas.
  • Em seguida, abra o frasco e coloque a tampa sobre a mesa, forrada com um pano limpo, com a abertura para cima.
  • Colha o leite no frasco, colocando-o debaixo da aréola.
  • Após terminar a coleta, feche bem o frasco.

Como guardar o leite materno coletado?

  • Anote na tampa a data e a hora em que realizou a primeira coleta do leite e guarde imediatamente no freezer ou no congelador o frasco fechado.
  • Se o frasco não ficou cheio, você pode completá-lo em outro momento.
  • Para completar o volume de leite no frasco já congelado, utilize um copo de vidro previamente fervido por 15 minutos. Após a fervura, escorra-o, com a abertura voltada para baixo, sobre um pano limpo até secar.
  • Coloque o leite recém-extraído sobre o que já estava congelado até faltarem dois dedos para encher o frasco.
  • Guarde imediatamente o frasco no freezer ou no congelador.
  • Após a extração em que o frasco de vidro esteja completo, a mãe deve ligar para o banco de leite humano. Se em 10 dias após congelar o primeiro leite, o frasco não estiver completo, a mãe poderá ligar para o banco de leite humano e fazer a doação, pois qualquer quantidade é importante.

Como conservar o leite materno coletado?

O leite humano extraído para doação pode ficar no freezer ou no congelador da geladeira por até 10 dias. Nesse período, deverá ser transportado ao banco de leite humano.

  • A produção do leite depende do esvaziamento da mama, por isso, quanto mais a mulher amamenta ou esvazia as mamas, mais leite ela produz.
  • Todo leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança.
  • Todo leite descongelado não deve ser congelado novamente.
  • 1 litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. Dependendo do peso do prematuro, 1 ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez em que ele for alimentado.
  • Bebês que estão internados e não podem ser amamentados pelas próprias mães têm a chance de receber os benefícios do leite materno com a sua doação. Com ele, a criança se desenvolve com saúde, tem mais chances de recuperação e fica protegida de infecções, diarreias e alergias.

Mitos e verdades sobre a doação de leite materno

Existe leite fraco?

MITO. Não existe leite fraco. Até uma mãe com desnutrição leve ou moderada é capaz de produzir um bom leite. Todos têm a mesma constituição. O que acontece é que o leite materno é mais ralo que o leite de vaca. Mas, lembre-se: o leite de vaca foi feito para o bezerro! Cada espécie se alimenta com o leite produzido pela sua mãe. O leite materno tem todas as substâncias na quantidade certa de que o bebê precisa para crescer e se desenvolver sadio. O leite do início da mamada é mais “ralo”, pois contém mais água, menos gordura e grande quantidade de fatores de defesa. Contém também mais vitaminas e sais minerais. O leite do fim da mamada é mais grosso, visto que tem mais gordura e engorda o bebê. O bebê precisa do leite do começo e do fim da mamada.

Só o meu leite não sustenta e o bebê chora com fome.

MITO. Nem sempre que o bebê chora é porque está com fome. Ele pode estar com cólica, frio ou calor, molhado, ou simplesmente querendo carinho (colo). Lembre-se de que o choro é a única forma de o bebê se comunicar nos primeiros meses de vida. O importante é que ele esteja crescendo bem, o que pode ser verificado pelos gráficos na Caderneta da Criança, e urinando mais do que seis vezes a cada 24 horas.

Criança que nasceu prematura (antes do tempo) ou com baixo peso (menos de 2 quilos e meio) não deve mamar no peito.

MITO. Estes bebês podem ter dificuldades de sugar no início, mas são os que mais precisam da proteção do leite materno. Conforme eles crescem, sugam com maior facilidade. Se o bebê tiver dificuldade de sugar, retire o leite, coloque-o em um recipiente limpo e ofereça com colher ou na xícara de café/copinho.

Dar de mamar faz os peitos caírem.

MITO. A queda do peito depende de vários fatores: hereditários, idade, aumento de peso, musculatura de sustentação das mamas. A própria gravidez causa mudança na sua forma e posição.

A amamentação imediatamente após o parto é saudável.

VERDADE. Alimentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir consideravelmente os riscos de mortalidade neonatal, além de contribuir para a recuperação da mulher. Quanto mais cedo acontecer a primeira mamada, maiores as chances de uma amamentação bem-sucedida, além de estimular e fortalecer o vínculo mãe e bebê.

Seios pequenos produzem menos leite.

MITO. O que dá o tamanho dos seios é o tecido gorduroso e não a glândula produtora de leite, portanto, não depende do tamanho ou formato da mama. Afinal, tamanho não é documento!

Criança que arrota mamando faz o peito inflamar ou o leite secar.

MITO. Não há comprovação científica desta afirmação.

Cerveja preta, canjica, água inglesa e outros alimentos aumentam a produção de leite.

MITO. É verdade que a cerveja aumenta a quantidade de leite
 por ser líquido, assim como a água e o suco. Mas bebidas alcoólicas não devem ser ingeridas, pois o álcool passa rapidamente para o leite e pode ser muito prejudicial ao bebê.

A mulher que estiver amamentando pode ingerir bebidas ácidas como suco de laranja ou limão.

VERDADE. Os alimentos ácidos não talham o leite. Não é necessário tomar mais leite de vaca para produzir mais leite. Recomenda-se que a mãe beba bastante água todos os dias. Café, chá preto e refrigerante em grande quantidade podem provocar cólicas no bebê.

As mães que têm anemia podem amamentar.

VERDADE. Mas devem procurar um tratamento. O médico poderá receitar a medicação adequada, orientar a dieta e a mãe continuar amamentando.

A amamentação ajuda a mulher a emagrecer.

VERDADE. O aleitamento traz vários benefícios, além da perda de peso mais rápida após o parto, a amamentação ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, reduz o risco de hemorragia, anemia e câncer de mama e de ovário. Durante a gestação, a mulher acumula peso para formar uma reserva energética justamente para ser gasta no período da amamentação. Saiba que parte da gordura materna é transferida para o bebê pelo leite.

O leite materno pode ser congelado.

VERDADE. Na geladeira, o leite materno deve ser armazenado até 12 horas. No freezer, pode durar até 15 dias. Essa é uma boa notícia para as mães que precisam retornar às suas atividades profissionais, sem recorrer ao leite industrializado. Para descongelar, o leite deve ser mantido na geladeira ou em água corrente morna. Não se deve deixar em temperatura ambiente e nem esquentá-lo no fogão ou microondas.

O tempo de amamentação depende de cada criança.

VERDADE. Alguns bebês são rápidos e levam de 5 a 10 minutos para
 mamar. Outros, não têm pressa e levam até 40 minutos. A mãe deve continuar amamentando até o bebê perder o interesse, pois é ele quem vai determinar o tempo suficiente. A mãe deve buscar a melhor posição, seja sentada, em pé, deitada, e oferecer o seio à criança. Deve promover uma boa ‘pega’, com a criança abocanhando a maior parte possível da aréola, para evitar fissuras.

Simpatias e crendices podem alterar o leite.

MITO. A maioria das simpatias ou crendices não alteram o leite. Por exemplo: o bebê arrotar no peito, o leite pingar no chão, beber água durante a amamentação, nada disso altera a quantidade e a qualidade do leite.

Amamentar deixa os seios flácidos.

MITO. Amamentar não deixa os seios flácidos, a não ser que não haja cuidados básicos. A indicação é usar um sutiã de alças largas e que sustente as mamas.

Mãe que está amamentando não pode trabalhar fora.

MITO. A mãe pode dar de mamar nos períodos em que estiver em casa. Pode retirar e guardar seu leite para ser oferecido ao bebê enquanto ela estiver fora.

É preciso passar hidratantes ou pomadas medicinais para proteger o bico do peito.

MITO. O uso de hidratantes afina o tecido do bico do peito e da aréola (rodela escura do peito). A mãe deverá espremer um pouco de leite e passar ao redor da aréola e bico antes e depois de cada mamada, para eliminar bactérias, umedecer e manter a elasticidade e hidratação da pele, evitando assim a ocorrência de rachaduras (fissuras).

O bebê é quem faz o horário de amamentação.

MITO. Nos primeiros meses, o bebê ainda não tem um horário para mamar. Dê o peito ao seu filho sempre que ele demonstrar fome. Com o tempo, ele vai fazer seu horário de mamadas. Antes de começar a dar de mamar, lave as mãos. Sente-se em um local confortável e o ajude a pegar corretamente o peito. Após a mamada, passe o próprio leite no complexo mamilo areolar, antes e após a mamada.

Existe uma posição ideal para amamentar.

MITO. A melhor posição é aquela mais confortável para a mãe e o seu bebê.

Banco de Leite Humano

1 – Hospital e Maternidade São José
Banco de Leite Humano Irmã Rafaela Pepel
Rua Jackson de Figueiredo, 401 , Centro
Itabaiana – CEP: 49500-000
Tel.: 79-3431-2290 – Fax: 79-3431-2290
diretoria@msjose.com.br

BLH referência para o estado

2 – Maternidade Nossa Senhora de Lourdes
Banco de Leite Humano Marly Sarney
Rua Recife, s/n , José Conrado de Araújo
Aracaju – CEP: 49085-310
Tel.: 79-3226-6335 – Fax: 79-3226-6338
blhumano.mhfb@saude.se.gov.br

3 – Maternidade Zacarias Júnior
Banco de Leite Humano Zóed Bittencourt
Rua Hi~pólito Santos, s/n , Centro
Lagarto – CEP: 49400-000
Tel.: 79-3631-2723 – Fax: 79-3631-9319
bancodeleite@maternidadelagarto.com