COMO MELHORAR O ATENDIMENTO HOSPITALAR

 

 

                                                        MARIA ANGELICA REZENDE SILVEIRA

 

 

         Hoje um grande problema da Rede Pública é dar conta do grande número de pacientes que necessitam do atendimento hospitalar para seu tratamento.

         Na realidade não dispomos de estrutura hospitalar suficiente para respondermos ao fluxo de procedimentos necessários, porque não otimizamos o uso dos leitos hospitalares existentes.

         É preciso portanto, urgentemente criarmos alternativas para desafogar os hospitais e cuidar melhor dos pacientes estáveis.

         Quando uma cirurgia ou um procedimento é realizado em um hospital geral que tem um custo muito alto, o paciente na sua maioria das vezes vai precisar de cuidados médicos, enfermagem, fisioterápicos e outros transdisciplinares antes de seu retorno para casa.

         Ocorre que a sua permanência antes de alguns procedimentos cirúrgicos, e até mesmo em casos de traumas, ou em outras modalidades de atendimento, ou após o procedimento cirúrgico e clínico em alguns casos que necessitem de internação,, impede que outros pacientes também necessitados  façam uso daquela unidade hospitalar , criando filas de espera indesejáveis.

         Se não houver uma gestão adequada, os pacientes que ficam na fila de espera não serão atendidos  oportunamente por falta de leitos hospitalares disponíveis.

         Poderíamos melhorar esse atendimento de duas maneiras:

         A primeira, seria aproveitar a experiência recente utilizada pelo Hospital Israelita Albert Einstein que já é referência internacional, e que teve impacto positivo em todas as etapas do tratamento do paciente, fazendo o uso de planilhas e agenda eletrônica para mapear as tarefas envolvidas no tratamento do paciente desde a sua entrada até a saída do paciente do hospital.

         A experiência desse método reduziu em 20% o tempo de permanência do paciente no hospital, melhorando o giro dos leito, e isso já é uma realidade alcançada.

         O monitoramento através do prontuário eletrônico foi imprescindível para a aplicação do novo método, porque o sistema registra em quanto tempo o paciente fica no pronto atendimento, acompanha as anotações médicas no prontuário, os exames , e de acordo com protocolos ,consegue apontar a probabilidade de internação e o tipo de leito requerido.

         Esse sistema, além de enxergar o movimento do pronto atendimento e as vagas requeridas pela clínica médica, centro cirúrgico, promove a agenda de procedimentos eletivos.

         A segunda alternativa que poderia complementar a primeira ou pode  ser utilizada isoladamente, para aproveitar melhor a grande estrutura de um hospital de grande porte, seria a utilização de hospitais de pequeno porte, sediados no interior do estado, muita vezes sub utilizados, como instituição de transição.

         Esses hospitais que tem já uma pequena estrutura, poderiam receber os pacientes antes dos procedimentos cirúrgicos ou após esses procedimentos.

         Citaríamos a título de exemplo, um paciente internado com AVC ou Infarto, na fase aguda, normalmente fica na UTI aproximadamente por cerca de cinco dias e depois poderia ser transferido para os hospitais de pequeno porte que funcionariam como instituições de transição onde teriam suporte médico, de enfermagem e corpo multidisciplinar , composto por fisioterapia motora, respiratória, neurológica, psicológica, nutricionista e outras.

         Depois de algum tempo , quando o paciente recebesse alta, voltaria para casa onde passaria a ser tratado pelo médico de família.

         Nos casos cirúrgicos também, ultrapassadas as horas necessária para observação do paciente, eles iriam para os hospitais de transição até serem liberados.

         Somente com a utilização desses procedimentos, haveria maior número de atendimentos cirúrgicos dos pacientes e diminuiríamos a fila de espera que têm sido responsáveis pela morte de alguns, além de ajudar na prevenção das infecções hospitalares que hoje vitimam um grande número de pessoas, e seria dado ao paciente um atendimento humanizado e justo.

            Hoje muitos pacientes são obrigados a deixar o hospital antecipadamente, por falta de leitos.

         Fica aqui a nossa sugestão que além da publicação no site de saúde Solidária, será encaminha   à direção do HUSE como colaboração desse movimento.